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SILÊNCIO: UM ANO DE PARTIDAS SEM O TORCEDOR NOS ESTÁDIOS

Estádio vazio devido a pandemia do coronavírus Reprodução: Avera Notícias

Meados de março, ano 2020, os campeonatos regionais vão alcançando o final da primeira fase, as competições internacionais a todo vapor e os clubes se preparando para jogos muito emocionantes. As preparações se intensificavam, pois tão logo começaria também o Brasileirão, o mais longo torneio no Brasil. Aquela quarta-feira estava bonita, tempo agradável, a torcida com seu esquenta na porta do estádio, eram bandeirões, foguetórios, fumaça vermelha, gritos de incentivo…era noite de libertadores! Mais de 30 mil são paulinos puderam acompanhar naquele 11 de março de 2020 uma grande vitória do São Paulo diante a LDU, 3×0 com respeito de um time que engrenava com Fernando Diniz, as arquibancadas tremiam, foi a última partida com torcida que a RFO fez in loco. Este relato, que hoje está no passado, eu mesmo vivenciei, fiz pré, ao vivo e pós-partida, muitos jornalistas na zona mista aguardando a saída dos jogadores para uma entrevista, outros na coletiva de Diniz e Alexandre Pato, assim foi aquele dia, o último dia.

As rodadas seguintes, pelos estaduais, já não tiveram a mesma intensidade da anterior, não por ser outra competição, mas sim, pela falta do público. A pandemia, naquele momento, estava ainda com números baixos, muitas pessoas argumentavam que logo passaria, a máscara e o álcool em gel ainda não eram itens obrigatórios e todos torciam para que tivéssemos algo controlado, mas neste tempo aprendemos duas lições: Não é algo que está sob controle e não passou logo (ainda não acabou). Com este cenário, passado este um ano, os clubes brasileiros afundaram em mais dívidas, o principal ponto de desequilíbrio financeiro se deu na receita de bilheteria, esta fonte de renda esportiva deu aos times no geral a maior dor de cabeça nunca antes sentida, foi sem dúvida nenhuma um dos maiores revés da história em relação à caixa das instituições, algumas dívidas, que já eram grandes, aumentaram ainda mais, contratações ficaram mais difíceis e as apostas ficaram pelo lado da base, o que acabou dando certo, por exemplo, ao Palmeiras, que depois de anos contratando, sua base decidiu um paulista, uma libertadores e uma copa do Brasil, sem contar que dá a esperança de uma venda futura do atleta, claro, pensando em longo prazo já que todo este problema afetou os clubes pelo mundo. Vejam abaixo, por exemplo, as maiores dívidas de clubes brasileiros em reflexo a pandemia e a falta que faz o torcedor para as instituições durante os jogos: 

Fluminense – R$ 3.355.612,27

Flamengo – R$ 3.234.340,85

Atlético-MG – R$ 1.843.989,01

Botafogo – R$ 1.804.140,33

Palmeiras – R$ 1.588.166,99

(Números divulgados pela CBF antes da disputa da última rodada do Brasileirão 2020)


Já em relação ao torcedor, ir para as arquibancadas num domingo a tarde é algo prazeroso, mas é neste momento inviável. Ali, ficam as emoções, é choro e desespero, alegria e tristeza, arquibancada de um estádio de futebol tem muito poder, mexe com o sentimento da torcida por naquele metro quadrado poder expor suas emoções. Todavia, não há sequer um prazo determinado para que os torcedores possam voltar, não existe ainda um pensamento de que teremos novamente pessoas ali vestindo um mesmo manto. Seja no Morumbi, no Allianz, Maracanã ou Mané Garrincha, a voz do torcedor que faz tanta diferença durante 90 minutos está calada há um ano, sem previsão de volta e deixando o futebol mais vazio, mas sabemos que tudo isso é necessário hoje, para que logo mais voltemos a nossa rotina, a de torcer.

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