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A importância dos brasileiros na evolução do futebol japonês

O futebol na Ásia não tinha tanta visibilidade na América do Sul, principalmente no Brasil, mas isso mudou a partir dos anos 90 quando Zico, ídolo no Flamengo e na Udinese chegou para jogar no Kashima Antlers, do Japão. A partir daí, o futebol japonês dava os primeiros passos para uma grande evolução na parte tática e técnica.

O Galinho de Quintino foi o pioneiro na evolução do futebol na Ásia, é um dos principais ídolos dos japoneses e com o sucesso, outros grandes atletas vieram atuar no país nipônico.Com o futebol crescendo e os clubes investindo em infraestrutura, bons jogadores começaram a aparecer como o meia Hidetoshi Nakata, o zagueiro Tulio Tanaka, o atacante Takahara, o meia Shunsuke Nakamura, entre outros.

Para ressaltar a importância do futebol brasileiro, o programa Foot x Brain, exibido pela TV Tokyo em 10 de Julho de 2016, elegeu os dez brasileiros que tiveram maior destaque na história do futebol japonês. Alguns com carreira consolidada, outros sem muito destaque, mas com um papel muito importante na história dos clubes que defenderam.

Foto: Blog Futebol no Japão

10) Amaral, o rei de Tokyo – Nascido em Piracicaba em 1966, se destacou em clubes do interior de São Paulo como Comercial, Capivariano e Ituano. Teve uma breve passagem no Palmeiras, onde foi reserva de Evair, mas uma lesão no menisco e uma proposta “irrecusável” do Tokyo Gás (atual FC Tokyo), clube que tinha conquistado o acesso à primeira divisão da JFL, a liga amadora do Japão. A ideia era ficar só uma temporada na Ásia e depois voltar ao Brasil, mas ele acabou ficando até o fim da carreira.

No FC Tokyo foram 12 temporadas, levou o time a primeira divisão do futebol japonês e ao todo marcou 178 gols (98 na JFL, 15 na J2, 49 na J1, 10 na Copa do Imperador e 6 na Copa da Liga), incluindo nove hat-tricks. Virou ídolo absoluto e recebeu o apelido de “King of Tokyo”.

Na última temporada pela equipe da capital, terminou o campeonato na quarta colocação, melhor resultado da equipe. Até hoje, a torcida leva uma bandeira em homenagem a ele nos jogos em seu estádio, o Ajinomoto Stadium (foto acima).

Foto: Blog Futebol no Japão

9) Washington, Coração Valente – Chegou ao Japão depois de ser artilheiro e vice-campeão brasileiro com o Athletico-PR em 2004. Ele também havia atuado pela seleção brasileira na Copa das Confederações em 2001. O centroavante atuou no Tokyo Verdy em 2005, marcando 22 gols, porém, a equipe foi rebaixada. O artilheiro jogou duas temporadas em Saitama, no Urawa Reds.

Teve grande destaque nas principais conquistas da história do clube, a J-League em 2006 (acabou como artilheiro e na seleção do campeonato) e a Champions League da Ásia em 2007. Também foi artilheiro do Mundial de Clubes em 2007. Marcou 29 gols pelo Tokyo Verdy e 62 no Urawa Reds.

Foto: Blog Futebol no Japão

8) Marquinhos Cambalhota – Tokyo Verdy, Yokohama F-Marinos (duas passagens), JEF United, Shimizu S-Pulse, Kashima Antlers… É extensa a lista de clubes defendida pelo ex-atacante, que fez carreira no Japão. Seus principais momentos foram em Yokohama (campeão da J1 em 2004 e vice em 2013), mas foi no Kashima que ele viveu seu auge. Foi tricampeão da J-League (2007 a 2009), da Copa do Imperador (2007), duas Supercopas (2009 e 2010) e em 2008 foi artilheiro e MVP da J1. Marquinhos é o estrangeiro com mais gols na história da liga japonesa (152) e um dos maiores artilheiros de todos os tempos.

Foto: Melhores da Base

7) Leonardo – Foi convidado por Zico para ser seu sucessor e o lateral esquerdo, que tinha acabado de conquistar o tetra com a seleção fez história. No Kashima Antlers, jogou no meio-campo, onde seu talento foi melhor aproveitado e como camisa 10, começou a fazer gols como nunca tinha feito na carreira. Foram 63 jogos e 36 gols. Leonardo marcou o gol que foi considerado o mais bonito da história da J-League.

Foto: Blog Futebol no Japão

6) Araújo – Jogou no Japão por dois anos. Após sete temporadas no Goiás, foi para o Shimizu S-Pulse, mas não teve muito destaque. Fez nove gols e a equipe acabou em antepenúltimo. Em 2005 foi para o Gamba Osaka e a história mudou. Teve a incrível média de um gol por jogo (33 gols em 33 jogos), foi artilheiro, MVP e ajudou o Gamba a conquistar a J1 pela primeira vez. Depois dele, nenhum jogador chegou a casa dos 30 gols em uma edição da J-League.

Foto: Blog Futebol no Japão

5- Emerson Sheik – Era destaque na base do São Paulo, mas a polêmica alteração na idade fez com que o tricolor o vendesse para o Consadole Sapporo em 2000. Com 18 anos (na verdade 21), Sheik foi muito bem em seu primeiro ano em Hokkaido. Fez 31 gols em 34 jogos, resultado: a equipe foi campeã da J2 e ele foi o artilheiro.

Antes de ser “promovido” em 2001, passou mais um semestre na segunda divisão. Foram 18 gols em 19 jogos pelo Kawasaki Frontale, até ser contratado pelo Urawa Reds, onde ficou até 2005. Pela equipe anotou 94 gols. O atacante logo se tornou querido pela torcida. Conquistou só uma Copa da Liga (2003), mas foi eleito três vezes para o “best eleven” da J-League. Foi MVP em 2003 e artilheiro da J1 em 2004. Ele até deu uma declaração dizendo que queria se naturalizar japonês, mas uma proposta do Al Sadd, do Catar mudou os planos dele.

Foto: GettyImages

4- Juninho – Surgiu no Bahia e jogou na seleção Sub-20 em 1996. Foi para o Palmeiras em 2000, mas saiu após o rebaixamento em 2002. Foi jogar no Kawasaki Frontale, que na época estava interessado em Sandro Hiroshi, mas um olheiro ficou impressionado com Juninho após o jogo do Palmeiras contra o Flamengo. Em seu primeiro ano, marcou 28 gols e foi o vice-artilheiro.

Em 2004, foi o artilheiro com 37 gols e ajudou o time a ser promovido.Com o sucesso, ele recebeu uma proposta do Betis da Espanha, mas preferiu permanecer. Na primeira divisão foi um dos artilheiros e em 2007 veio a coroação: foi o artilheiro com 22 gols. Em março de 2008, ele queria se naturalizar e defender a seleção, mas a enorme dificuldade com o idioma fez com que ele desistisse de se naturalizar. Ficou na equipe até 2011 e marcou 214 gols em 357 jogos.

Foto: Pinterest

3) Dunga – Poucos jogadores transformaram um clube como Dunga fez com o júbilo Iwata. O capitão do tetra disputou quatro temporadas, enquanto era titular absoluto na seleção e foi nesse período que a equipe se tornou um dos grandes no futebol japonês. Em 97, a equipe conquistou a J-League pela primeira vez e o volante levou o prêmio de MVP.

Segundo o escocês Eddie Thomson, técnico do Sanfrecce Hiroshima na época: “Bons jogadores estrangeiros são aqueles que organizam e ajudam os jogadores japoneses, que são virtualmente seus técnicos dentro de campo. Dunga era um exemplo perfeito. Ele valia seu peso em ouro. Agora o Júbilo é o melhor time da liga, eles jogam o melhor futebol, e eles jogam como o Brasil. Dunga mudou totalmente o seu time. Agora eles têm cinco ou seis jovens promessas na seleção nacional e todos eles deram certo por causa do Dunga. Ele valeu cem vezes o que foi investido nele.” Vale a pena ver este vídeo em que o volante distribui broncas nos companheiros durante as partidas. Dunga também levou um pouco da catimba sul-americana para o Japão, o que causou controvérsia e incomodou principalmente o arquirrival Shimizu S-Pulse. Steve Perryman, inglês que treinava o S-Pulse, chegou a declarar que “o Júbilo é lado negro, maligno do futebol” e também “já vi os gandulas não devolverem a bola quando o Júbilo estava ganhando”.

Foto: Blog Futebol no Japão

2 – Robson Ponte – Ex-jogador de Juventus (SP) e Guarani, ele fez boa parte da carreira na Alemanha. Chegou no Japão em 2005 para jogar no Urawa Reds, contratado do Bayer Leverkusen. Ficou cinco anos e meio e herdou a 10 de Emerson Sheik e foi primordial nas grandes conquistas da história do clube: a J-League em 2006 e a Champions da Ásia em 2007. Sua contribuição fez com que ele se tornasse um dos maiores ídolos do clube. Ele foi eleito o melhor jogador da J1 em 2007. Ao todo, foram 197 jogos e 48 gols em Saitama.

Foto: Blog do Paulinho

1- Zico – O Kashima Antlers era um antes de Zico e outro completamente diferente depois dele. Quando ele foi contratado a equipe ainda se chamava Sumitomo Metais, um inexpressivo time amador da segunda divisão. Depois que ele foi contratado, o clube se tornou o mais vencedor da história do futebol japonês. O Galinho havia se aposentado em 1989, mas voltou em 1991, com 38 anos após receber um convite do Sumitomo, que se estruturava para ganhar uma vaga na liga profissional, inaugurada em 1993.

Ele atuou uma temporada na Segundona da JSL pelo Sumitomo (22 gols em 24 jogos) e duas na J-League pelo Kashima 24 gols em 43 jogos). Não foi campeão, nem ganhou prêmios individuais, mas a sua importância foi muito além dos gols e das jogadas brilhantes. Foi ele quem direcionou tudo no clube e através dele que o clube adquiriu a mentalidade vencedora.

Graças ao Galinho que a liga ganhou visibilidade no Brasil, além de ter o maior contingente estrangeiro na J-League.Ídolo máximo do clube, Zico é chamado no Japão de “Sakka no Kami-Sama” (Deus do futebol), tem uma estátua em frente ao estádio e em todos os jogos a torcida sempre leva um bandeirão escrito “Spirit of Zico”.

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