Reizinho do Canindé: Dener, o craque que driblou á todos menos a morte

Dener jogando com a camisa da Portuguesa - Créditos: Reprodução

Criativo, velocista e muito habilidoso, este era Dener Augusto de Sousa. O meio campista com muita personalidade, era apontado até mesmo como o novo Pelé, no entanto uma tragédia interrompeu a trajetória de um grande talento.

A infância de Dener

Dener nasceu no dia 2 de Abril de 1971, na Vila Medeiros em São Paulo. Ele teve uma infância difícil, órfão de pai desde os oito anos, Dener e os irmãos começaram a trabalhar muito cedo. Dener dividia o dia entre o trabalho e os torneios de futebol no qual participava.

Em dado momento da infância ele acabou cometendo algumas infrações. De acordo com “Rubinho”, diretor do Colégio Bilac onde Dener estudava, ele assinou um termo de responsabilidade, e Dener foi liberado dias depois da delegacia, encaminhado para o programa de liberdade assistida da FEBEM

No entanto foi o futebol que conseguiu mudar o percurso do futuro craque.

O começo de Dener no futebol

Foi na portuguesa que Dener começou a sua trajetória aos onze anos em 1982 na equipe juvenil, entretanto ficou até 1986 quando teve que se afastar do futebol para ajudar a mãe. 

Voltou a Portuguesa três anos depois já se destacando na base, sendo assim todos conheceriam quem seria Dener. Antes de voltar a lusa, Dener chegou a ser cobiçado no Corinthians e São Paulo.

Já em 1991, atuando regularmente na equipe principal, o “reizinho do Canindé” posteriormente já ganhava destaque no cenário nacional, um gol em especial confirmou o momento do baixinho. 

Em jogo pelo Paulistão contra a Inter de Limeira, Dener anotou um gol antológico após driblar meio time de limeira e finalizar a esquerda do goleiro.

Ainda em 1991, com vinte anos, Dener estreou pela seleção brasileira contra a Argentina. Na partida ele deu uma assistência e foi um dos destaques da seleção comandada por Paulo Roberto Falcão.

Dener teve poucas oportunidades pela seleção, até por conta da curta carreira, no entanto suas atuações pela amarelinha ficam marcadas até hoje.

Ainda com grandes atuações na lusa, o meio campista despertou o interesse do Grémio. Posteriormente um jogo impressionou os diretores do clube gaúcho, após goleada da Lusa no próprio Grêmio e com atuação impecável de Dener.

Contratado por empréstimo, o meio campista atuou por apenas três meses em Porto Alegre, mas esse pouco tempo foi o bastante, já que a equipe conquistou o titulo do Gauchão de 93 com Denner anotando 4 gols na competição.

Com o fim do empréstimo ele voltou a portuguesa para uma segunda passagem e ajudou o clube no Brasileirão de 93. Ao todo foram 141 jogos e 24 gols pela lusa.

O inicio do fim 

No começo de 1994, Dener é cobiçado por diversos clubes, e com isso a Portuguesa volta a emprestar o meia, agora para o Vasco da Gama.

Sua estreia pelo cruz maltino foi em um amistoso contra o Newell’s Old Boys que contava com Diego Maradona, que por sinal Dieguito não poupou elogios ao baixinho que o cumprimentou no final da partida sendo até mesmo destaque em jornais argentinos.

No Vasco foram apenas 17 jogos e 5 gols e um titulo da taça Guanabara, mas em pouco tempo o baixinho já tinha conquistado a torcida vascaína que tinha criado até um grito de torcida. 

O “Ê cafuné! Ê cafuné! O Dener é a mistura de Garrincha com Pelé” foi uma das homenagens.

A tragédia

No entanto, Dener não teve muito tempo para comemorar com os vascaínos. Após dois dias no Rio de Janeiro, Dener e seu amigo Otto Miranda voltavam de carro para São Paulo.

Segundo noticiários da época, o craque iria se reunir com a Portuguesa detentora do seu passe e com o Sturttgart-ALE para fechar sua transferência no valor de 3 milhões de dólares.

Porém as 5h15 da madrugada do dia 19 de abril de 1994, a Mitsubishi de Dener dirigida por Otto perdeu a direção, e bateu a 60 km/h em uma arvore, próxima a Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro.

Dener que estava no banco do passageiro morreu na hora, o jogador estava dormindo no momento da batida com o banco inclinado.

O banco inclinado aliás foi fator determinante na sua morte, já que em seu laudo consta morte por asfixia e lesão na faringe ocasionado pelo cinto. 

Outro fator foi uma contusão no pescoço após bater a cabeça no teto do veiculo. Já Otto o motorista também acabou dormindo no momento da batida tendo apenas fraturas em suas pernas.

Denner faleceu com apenas 23 anos de idade e deixou três filhos e uma esposa. 

Até hoje o baixinho é lembrado pelas gerações atuais tendo recebido homenagem da Portuguesa em 2012 que lançou uma camisa comemorativa. 

A camisa que faz referência ao golaço marcado no Canindé contra a Inter de Limeira em 1991. Parte da renda das vendas foi destinada à família do meia.

Já em 2019, em sua homenagem, a Federação Paulista de Futebol passou a coroar o gol mais bonito da Copa São Paulo de Futebol Júnior com o Prêmio Dener.

Local do acidente e estado do carro de Dener - Créditos: Reprodução

Deixe um comentário