Taça Jules Rimet: O troféu da copa do mundo que foi roubada no Brasil

A taça Jules Rimet foi roubada da sede da CBF no Rio de Janeiro em 1983 - Créditos: Lucas Rodrigues/CBF

A taça Jules Rimet foi símbolo de conquista desde a primeira copa do mundo em 1930 até a copa de 1970, ano em que o Brasil conquistou a terceira copa, e por regulamento da FIFA a primeira seleção á conquistar três vezes o titulo ficaria com o troféu.

O troféu pesava 3,8 kg e media 35 cm, o nome Jules Rimet se remetia ao ex-presidente da FIFA e idealizador da primeira copa do mundo na história. 

Com o titulo brasileiro, a Jules Rimet ficou armazenada na sede da CBF no Rio de Janeiro até 1983, ano que ocorreu o furto da taça. Detalhe que a taça já havia sido roubada em 1966 em Londres-ING. No entanto foi encontrada por um cão policial.

O Roubo da Jules Rimet

O principal mentor do crime foi Sergio Peralta. Peralta era gerente de um banco no Rio de Janeiro, e tinha acesso constante ao prédio da CBF justamente pela função exercida. 

Peralta teve a ajuda de outras duas pessoas para a ação, Chico Barbudo e Luiz Bigode. 

Chico era experiente na compra e venda de ouro e acabou por aceitar uma proposta de Peralta para participar da ação. 

Logo depois, Luiz Bigode foi outro a colaborar com o furto da Jules Rimet, Bigode era conhecido de Peralta e de Chico.

Sergio Peralta montou um mapa do prédio da CBF, ele tinha bastante conhecimento do local até por constantes visitas a sede. 

Como estratégia, Chico dias antes do roubo fingiu-se ser um jornalista, e tentou entrar na sede para conhecer melhor o lugar, no entanto foi barrado por uma secretária da entidade.

Posteriormente, no dia 19 de dezembro de 1983, as 21 horas, Chico Barbudo e  Luiz Bigode de mascaras invadiram o prédio da CBF, enquanto isso Peralta aguardava do lado de fora da sede. Chico e Luiz renderam o vigia e conseguiram acesso ao nono andar, andar no qual estava a taça.

Os dois conseguiram a chave da sala e abriram com um pé de cabra tirar a frágil moldura e o vidro blindado que protegiam o troféu. Os criminosos conseguiram sair do prédio sem serem avistados.

Repercussão e destino da taça

No dia seguinte ao furto da taça, os jornais cariocas já repercutiam o roubo. No entanto a policia estadual tratava o caso como um simples furto, até que o caso foi encaminhado pela Policia Federal após forte pressão mundial.

Por outro lado os criminosos levaram a taça até Juan Carlos Hernandez, um argentino que tinha um local de venda de ouro e joias. Eventualmente Hernandez foi apontado como o responsável pelo derretimento da taça. 

A Jules Rimet antes de derretida foi cortada por pelo menos 14 pedaços, sendo consequentemente derretidas em barras de ouro. Luiz Peralta realizou a venda das barras de ouros por meio de cheques bancário.

Suspeitos e condenação

De imediato a polícia suspeitou de dois faxineiros da sede da CBF, entretanto foram liberados por falta de provas. 

Logo depois da liberação dos faxineiros, a polícia interrogou o vigia do prédio que posteriormente foi descartado do caso.

A polícia federal só conseguiu concentrar as forças em Peralta, Bigode e Barbudo após uma denúncia de um antigo conhecido do próprio Sergio Peralta.

Era Antônio Setta, conhecido como “Broa” que foi o delator do caso, Antônio aliás havia recebido convite de Peralta para participar do roubo da taça, posteriormente rejeitada por Broa.

Ciente do plano de Peralta, Broa alertou a polícia quanto ao mandatário do crime. Sendo assim, Sergio Peralta foi detido no dia 25 de janeiro de 1984 no Rio de Janeiro.

Consequentemente na delegacia, Peralta apontou os outros dois participantes do roubo, sendo Luiz Bigode e Chico Barbudo. Contudo, Luiz Bigode foi preso por três policiais em sua casa, também no Rio de Janeiro.

Em seguida, Bigode a princípio confessou o crime, mas após um novo depoimento Luiz negou participação e alegou nunca ter entrado na CBF. 

Por outro, lado havia um quarto participante de toda a ação, Juan Carlos Hernandez o mesmo que havia despedaçado a taça. Hernandez teve seu comercio de joias invadido por doze policiais. 

Consequentemente o argentino foi condenado pela participação apenas em 1988, no entanto ele planejou uma fuga para a França, onde acabou cumprindo pena por tráfico de drogas.

Em março de 1988, todos os participantes do crime foram a julgamento, Peralta, Barbudo e Bigode foram condenados a nove anos de prisão. Simultaneamente Hernandez foi condenado a três anos. 

A fuga e os destroços da Jules Rimet

Porém a historia ganharia mais um capitulo, onde todos os condenados fugiram do cenário. Chico Barbudo até conseguiu apelação da pena e aguardava em liberdade, no entanto foi assassinado a tiros em um bar no Rio de Janeiro.

Sergio Peralta foi capturado e cumpriu quatro anos de prisão. Em 2003 já em liberdade faleceu vitima de infarto. 

Nesse meio tempo, Luiz Bigode havia sido preso em 1995 e cumpriu pena por três anos. Hoje Bigode vive no Rio de Janeiro sendo o único envolvido com vida. 

Já Hernandez foi preso em 1998 novamente por tráfico de drogas, o Argentino ficou detido até 2003, quando ganhou liberdade condicional. Hoje não se sabe sobre o paradeiro do criminoso.

Quanto os vestígios da taça, apenas em 2015 foi encontrada nos porões da sede da FIFA em Zurique na Suíça, a base do troféu que carregava os nomes das seleções campeãs de 1930 até 1970.

 

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