Criação de Liga independente pode revolucionar o futebol nacional no país

Presidentes de clubes da serie A estiveram em reunião para idealizar a criação de uma nova liga - Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Presidentes de 19 clubes da primeira divisão se encontraram em reunião, para debater a criação de uma Liga independente para o futebol nacional.

O encontro sobretudo ocorreu no Rio de Janeiro, sendo que os representas dos clubes assinaram um protocolo para a criação da liga. 

O documento foi entregue a CBF, que também teve representante na reunião em questão e agora analisa o pedido dos clubes.

Contudo, dos 20 clubes da primeira divisão nacional, apenas o representante do Sport não esteve presente.

A equipe pernambucana está sem presidente desde a renúncia de Milton Bivar ao cargo. A tendência é que o clube realize novas eleições, ainda este ano.

Eventualmente, a criação da liga vem a tona em um momento conturbado da CBF, que teve o então presidente Rogério Caboclo afastado, após acusações de assédio.

Presidentes enviam carta assinada para a CBF

A primeira vista, os representantes dos clubes assinaram um documento argumentando a falta de autonomia e a ausência de dialogo entre representantes da CBF com os clubes.

O pilar para o desgaste entre clubes e CBF aconteceu em março deste ano. Na época os clubes debatiam com a CBF quanto a continuidade das ligas nacionais.

Nesta reunião na qual o presidente Rogério Caboclo organizou, o então mandatário afirmou aos clubes que em caso de recusa em dar continuidade nos jogos nacionais, os clubes estariam f******.

A partir dai, a relação entre clubes e CBF ficaram estremecidas sendo esse ultimo episódio de assédio contra Caboclo a gota da água.

Outra questão apontada na carta assinada pelos presidentes, é em relação a distribuição de renda das equipes junto a CBF.

Os clubes citam que a CBF tem grande parcela em direitos de renda e transmissão, acarretando um desequilíbrio financeiro nos lucros de equipes do futebol nacional.

Modelo de Liga independente semelhante a Premier League

Desde já a CBF, entidade máxima do futebol nacional começou a organizar o campeonato brasileiro a partir de 1959, na época chamada de taça Brasil.

Sobretudo, durante décadas a competição teve seu formato reformulada por diversas vezes, tendo a maior mudança em 2003, ano que o campeonato até então disputado em formato mata mata passou a ser disputado em pontos corridos.

Em relação a liga independente, a ideia é criar a competição nos parâmetros semelhantes ao que ocorre na Premier League, na Inglaterra.

De acordo com Rick Parry, ex-CEO da Premier League, o Brasil tem potencial e ingredientes para criar uma liga independente no país.

Parry comentou em entrevista como era o campeonato Inglês antes da unificação dos clubes para a criação de uma liga independente.

Segundo o ex-CEO, os anos 80 no futebol Inglês era muito mal distribuído financeiramente e com pouca estabilidade na organização da liga.

Com um caos instalado na liga, os clubes ingleses se reuniram e renunciaram a participação de competições organizadas pela federação inglesa.

Logo depois da renuncia os clubes da primeira divisão se organizaram, para em 1992 começar a elaborar uma competição nacional independente, tendo uma empresa ilimitado do ramo esportivo, como responsável pela direção da liga.

Rick Parry que comandou por décadas a direção da Premier League, afirma que a transparência, responsabilidade e união dos clubes foram os pilares para o sucesso da Premier League.

Hoje a Premier League é a principal competição por clubes no futebol mundial, a renda anual do campeonato chega 4,5 bilhões de libras, e ano após ano vem crescendo em grau de competitividade.

Além disso a divisão de lucros como direitos de transmissão, premiações e renda geral do campeonato foram equilibradas junto aos clubes, a modernização em patrocínio e estrutura da competição foram outros pontos melhorados após a independência da liga.

Como deve funcionar uma nova liga brasileira

Os clubes tem como unanimidade alocar um executivo neutro para cuidar especificamente da competição, tendo assim nenhuma interferência por parte dos clubes.

De imediato, a intenção dos representantes dos clubes a favor da nova liga é organizar o campeonato brasileiro em diversos aspectos como o financeiro e logístico.

Primeiramente ocorreria uma organização geral da liga, onde os clubes realizariam a temporada em torno desta nova liga.

Sendo assim, o calendário do futebol nacional sofreria alterações, já que a ideia inicial é que as partidas ocorram exclusivamente aos finais de semana, semelhante ao que ocorre na Europa.

Por outro lado, com mudanças em datas das partidas as competições estaduais teriam que modernizar os seus formatos para reduzir datas no calendário nacional, justamente por conta da nova liga.

Em relação aos direitos de transmissão, os grupos que transmitem os jogos como a globo e a Turner teriam que negociar contratos de forma coletiva e não individual como ocorrem hoje.

A ideia é que todos os clubes da liga de alguma forma tenham renda com transmissões, tendo assim um equilíbrio e distribuição financeiramente.

Outro ponto que é questionado é a relação do selecionado de arbitragem para apitar as partidas da nova liga. O projeto estuda vinculação dos clubes para escolha do quadro de arbitragem.

No entanto, está ideia é contestada já que com os clubes selecionando o quadro de arbitragem pode viabilizar possíveis interferências em jogos. 

Uma alternativa estudada seria a contratação de uma empresa especializada em direito arbitral, para administrar este departamento na liga.

Os clubes agora aguardam resposta da CBF quanto a proposta, mesmo em caso de avanço para a criação da liga, o formato de disputa e classificação não devem ser alterados a curto prazo.

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