Copa 90: Trinta anos da consagração alemã!!

08 de Junho de 1990. Nesta semana, completou-se 30 anos do tricampeonato mundial da Seleção Alemã, conquistado em Roma, com a vitória de 1 a 0 diante da Argentina.

Este título consagrou uma geração de jogadores talentosos, mas principalmente de muita força, característica principal daquela equipe. A Alemanha, que naquela copa ainda jogou como Alemanha Ocidental, apesar da queda do muro de Berlim em novembro de 1989, foi capitaneada pelo craque Lottar Matthaus, e que ainda tinha o lateral e zagueiro Andreas Brehme, o atacante Rudi Voeller e grande elenco, todos jogadores de muito sucesso, e que, coincidentemente, jogavam no futebol italiano. A terceira estrela na camisa branca alemã também elevaria a posto de ícone um dos maiores da história do futebol mundial: Franz Beckenbauer, astro da equipe campeã em casa em 1974, e que em 1990, conquistaria sua segunda copa, a primeira como treinador, igualando Mario Jorge Zagallo em um feito raríssimo: vencer a Copa do Mundo como jogador e treinador.

Vamos relembrar a campanha alemã naquele que seria o 14o mundial da história, e que teve seu jogo inaugural em 08 de junho, em Milão – que mais tarde seria a base alemã na copa.

Na abertura da Copa do Mundo da Italia, a campeã e estrelada Argentina, de Maradona, perdia por 1 a 0 da irreverente seleção de Camarões, que viria, mais tarde, a ser uma das sensações daquele Mundial.

Fase de Grupos

Classificada como cabeça-de-chave do Grupo D, a Alemanha Ocidental teria como adversários a Iugoslávia, os Emirados Árabes Unidos e a Colômbia.

Os alemães estrearam na competição no dia 10 de junho, em Milão no Estádio Giuseppe Meazza (San Siro), com uma goleada por 4 a 1 frente os iugoslavos, que, liderados por uma bela geração de jogadores como Katanec, Stojkovic, Savicevic e Prosinecki, e ainda as promessas Suker e Boksic como opções, prometia muito nesse mundial. Com gols de Matthaus (2), Klinsmann e Voeller, a Alemanha mostrava a que tinha vindo. Josic descontou para a seleção iugoslava.

Na segunda rodada, dia 15 de junho, mais uma goleada, agora frente à estreante seleção dos Emirados Árabes Unidos, e aspirantes a piores do grupo, liderados pelo treinador brasileiro Carlos Alberto Parreira. No mesmo Estádio Giuseppe Meazza, 5 a 1 para os alemães, com show de Voeller, autor de 2 gols. Complementaram a vitória Matthaus, Klinsmann e Bein. Ismail descontou para os árabes.

Fechando a fase de grupos e praticamente classificada, a Alemanha Ocidental enfrentou a Colômbia pela terceira rodada no dia 19 de junho, ainda em Milão. O veterano Littibarski, que disputava sua terceira copa, e o jovem Freddy Rincón anotaram os gols do empate em 1 a 1, que classificou ambas seleções. Como em 1990, as 24 seleções se dividiram em seis grupos de quatro seleções, os dois primeiros de cada chave avançavam, além dos 4 melhores terceiros colocados. A Alemanha Ocidental ficou em 1o, seguida pela Iugoslávia e a Colômbia avançaria como uma das melhores terceiras.

Oitavas de Final

O confronto de Oitavas de Final foi bastante emblemático. O cruzamento apontou Alemanha Ocidental e Holanda para medirem forças no mesmo Estádio Giuseppe Meazza, reeditando a decisão de 16 anos antes, na Copa de 1974. A Holanda, atual campeã européia, classificou-se como uma das melhores terceiras colocadas apenas, o que forçou o encontro precoce. Esse clássico europeu foi marcado para o dia 24 de junho. De um lado Matthaus e Brehme, craques da Inter-ITA, do outro Gullit, Rijkaard e Van Basten, astros do Milan-ITA, e todos se sentiriam em casa, já que o palco é o mesmo onde desfilavam suas habilidades durante a temporada.

Os alemães sairam na frente com gol do artilheiro Jurgen Klismann. A partida ficou dramática, tensa, até o final, com provocações e discussões, quando Brehme, aos 40’ do segundo tempo, tirou aquele “Ufa” da torcida alemã.

Ronald Koeman ainda descontaria de penalti, mas o 2 a 1 levaria a equipe de Beckenbauer às quartas de final.

Quartas de Final

No dia 1o de Julho, ainda mantido em seu quartel general de Milão, a Alemanha Ocidental teria a seleção da Tchecoslováquia pela frente. Os Tchecos de Bilek e Skuhravy, haviam se classificado em segubdo lugar no grupo A, da anfitriã Itália, e despachado os costa-riquenhos na fase anterior por 4 a 1. O confronto prometia ser duro.

Prometia. Aos 25’ da etapa inicial, o capitão Matthaus colocava os alemães na frente do placar, de pênalti. Parecia que a partida se encaminhava para um domínio alemão, sem grandes sustos.

Parecia, também. A partida seguiu tensa, nervosa, e o placar inalterado. E assim foi até o fim, quando o apito do árbitro Helmut Kohl (AUT), deu números finais ao jogo e selou a classificação alemã às semi-finais.

Semi Final

Na noite do dia 04 de Julho, alemães e ingleses reviveriam uma espécie de revanche da decisão de 1966, que a Alemanha reclama (e com toda razão) até hoje de uma bola que não entrou e o gol foi concedido aos anfitriões, naquela oportunidade.

A Inglaterra, até então, fazia um mundial apenas razoável. Acabou vencendo seu grupo com Holanda, Irlanda e Egito, mas com uma vitória e dois empates. Passou pela Bélgica nas oitavas de final com um gol da surpresa David Platt, vinda do banco de reservas. O gol saiu apenas na prorrogação, e a um minuto do fim. Nas quartas, a equipe inglesa derrotou a sensação Camarões por 3 a 2 mas com o gol da vitória de penalti e também já na prorrogação. Porém, pela rivalidade histórica, o confronto prometia. E, pela primeira vez nesse mundial, a Alemanha Ocidental sairia de sua base e viajaria a Turim, para enfrentar a Inglaterra no Estádio Delle Alpi. O árbitro da partida foi o brasileiro José Roberto Wright.

O jogo foi bastante intenso e disputado! Os gols só sairam após os 15’ da segunda etapa. Brehme pôs os alemães na frente, mas Gary Lineker igualou as ações para os ingleses e levou a partida para a prorrogação. O 1 a 1 persistiu, e decisão da vaga à final seria decidida nas penalidades máximas.

Nos penais, Brehme, Matthaus, Riedle e Olaf Thon marcaram para os Alemães. Lineker, Beardsley e Platt conferiram para os ingleses, mas Waddle e Stuart Pearce perderam suas cobranças, e a Alemanha Ocidental, do goleiro Bodo Illgner, chegava assim à sua 3a final de Copa do Mundo consecutiva.

Era mais uma chance de conquistar o sonhado tricampeonato, já que, Italia em 82, e Argentina em 86, haviam adiado os planos alemães nos últimos dois mundiais.

Final

Chegamos ao dia 08 de julho. Estadio Olimpico de Roma totalmente tomado, onde teríamos a reedição da Final de 1986: Alemanha Ocidental x Argentina, e um dos dois sairia de Roma tricampeão do Mundo.

Do lado alemão, o sonho de Mathaus e da seleção de Beckenbauer de, enfim, levar a taça Copa do Mundo, após duas finais frustradas, consagrando uma geração vencedora.

Do outro lado, a mesma Argentina de Diego Maradona, Burruchaga, Cannigia e companhia, que iniciou a copa perdendo de Camarões e foi ganhando corpo, eliminando Brasil, Iugoslávia e a anfitriã Itália (as duas últimas, nos penais), tentava confirmar a hegemonia mundial, e conquistar seu terceiro título em quatro edições do torneio.

O jogo foi super amarrado, característica dominante deste mundial, que, de longe, teve, além do menor número de gols, o pior nível técnico em anos. A Alemanha Ocidental era a tradução deste futebol-força, onde a supremacia física dominava sobre a qualidade com a bola nos pés. Os esquemas táticos também não privilegiaram o toque de bola, os dribles. O trabalho e a dedicação dos italianos para sediarem este mundial mereciam uma compensação melhor. A Argentina confiava em seu craque Maradona, as jogadas de Cannigia no comando do ataque, e em uma defesa sólida, com o goleiro Goecochea, que acabou ganhando a espaço durante o mundial, devido à séria contusão do experiente e titular Nery Pumpido.

A decisão seguiu truncada e com poucas chances claras até os 40 da segunda etapa. Quando já se encaminhava para a prorrogação, o árbitro mexicano Edgardo Codesa viu penalti em cima do atacante Voeller, em um lance muito discutível. Poderia ser o gol que determinaria o título, Andreas Brehme bateu, venceu o goleiro sensação do Mundial, e pegador de penais, Sergio Goecochea, e colocou 1 a 0 no placar.

No desespero, a Argentina tentou de todas as formas empatar, mas era tarde demais.

Fim de jogo e tricampeonato alemão confirmado, para alegria de Mathaus, Klinsmann e Voeller, e tristeza, choro, lamentação de Diego Maradona e todos os comandados de Carlos Bilardo.

A Alemanha Ocidental, que meses antes celebrava a queda do Muro de Berlim, muro este que segregava o país em lados capitalista (Ocidental) e socialista (Oriental), estenderia sua festa pelas ruas da capital italiana por mais algumas horas, além da celebração que se espalhou por todo o território alemão, esse velho novo país, unificado, e tricampeão do mundo!!!



Matthaus e Voller na comemoração do Tri!

Se quiser ouvir mais sobre todo o processo pós tricampeonato, até o tetra em 2014, no Brasil, é só clicar no link abaixo! Falamos tudinho na 12a edição do Debate Online, o podcast da RFO!!

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