Eneacampeã! A hegemonia da Juventus no campeonato italiano

Foto: Twitter Juventus

Por Caio Villela Leme

Em mais uma temporada finalizada com o título, após vencer a Sampdoria no último domingo (26) por 2×0, a Juventus decretou seu 36° Scudetto, ampliando ainda mais sua hegemonia como maior campeã italiana. Além disso, a Vecchia Signora chega também ao seu 9° título consecutivo, algo que nunca havia acontecido antes na história do futebol italiano. Dito isso, nesta matéria iremos ajudar a entender o principais pontos que levaram a Juve a este absoluto e solitário reinado na liga nacional.

Coincidentemente ou não, a Juventus termina como campeã do italiano desde a temporada 2011-2012, mesma época de inauguração de seu novo estádio: o Allianz Stadium. Após vivenciar uma das maiores crises de sua história, ligados a problemas políticos (escândalo de manipulações de resultados no campeonato italiano em 2006), o clube passou por uma reestruturação completa, mudando a cara do time, dentro e fora de campo. A nova casa da Juve pode ser considerada o simbolo de todas essas mudanças, e também a principal pivô desta hegemonia.

Com seu novo estádio, a Juventus passou a receber uma verba muito maior de bilheteria. Na última temporada antes de sua inauguração, o faturamento da Juve era de 16,9 milhões de euros. No Allianz Stadium as receitas saltaram para 65,6 milhões só de dias de jogos – fora todos os eventos e patrocínios que se desenrolaram com a construção da nova arena. Esta nova casa possibilitou um maior investimento no futebol da Juventus, que ao longo dos anos conseguiu manter a base do time e reforçar o elenco com contratações de peso.

O novo caldeirão da Juve não foi importante apenas nos fatores extra-campo, mas dentro dele também. Desde a sua inauguração o retrospecto como mandante é impressionante. Ao todo, foram 143 vitórias em 170 jogos do campeonato italiano, além de 22 empates e apenas 5 derrotas. Nas duas últimas temporadas a equipe bianconeri não foi derrotada no Allianz Stadium. Na atual campanha (19-20) a equipe da Juventus, jogando como mandante, só derrapou para Sassuolo e Atalanta, foram dois empates.

Foto: Site Oficial Juventus

O outro pilar importante para este reinado da Juventus dentro da “bota” é a postura defensiva. Em todas as 9 edições da Série A consagradas com o Scudetto, a equipe de Turim teve a defesa menos vazada do campeonato. Juntando os jogos dentro deste período, a Juve sofreu 230 gols em 340 jogos. Um número impressionante visto que entre os times da elite do futebol italiano, o que mais se aproxima destes números é o Napoli, com 358 gols sofridos, uma diferença absurda.

Essa defesa formidável foi, e ainda é, composta por um trio de atletas que formam a base para estes 9 títulos consecutivos. Giorgio Chellini, um dos principais líderes desta equipe, foi o único jogador que esteve presente em todas as conquistas e um zagueiro imprescindível para este pilar defensivo da Juventus. Leonardo Bonucci, apesar de ter saído da Juventus para defender o Milan na temporada 2017-2018, fez uma excelentíssima dupla com Chellini ao longo dessas conquistas, sempre presente com sua ótima leitura defensiva e o vigor físico – após voltar do Milan em 2019, Bonucci foi o jogador com a camisa bianconeri que jogou mais minutos. Gianluigi Buffon, jogador histórico da Juventus e da seleção italiana, contribuiu em diversos títulos da Juve com seus milagres no gol e hoje, já com 42 anos, traz toda experiência de um ídolo multicampeão para os jogadores mais jovens – além de ser o único jogador da história do futebol italiano com 10 títulos do Scudetto em seu currículo.

Estes 3 jogadores formaram não apenas uma defesa consistente, mas também um tripé de experiência e liderança que foi decisivo para transformar a Velha Senhora como a maior hegemonia da história do futebol italiano.

Foto: Site Oficial Juventus

Ao analisarmos a Juventus eneacampeã temos que lembrar que os seus rivais de campeonato italiano também facilitaram esta jornada de sucesso. Milan e Internazionale, principais campeões italianos ao lado da Juve, vivem uma década com muitas crises internas e pouca relevância dentro do cenário nacional. Nesses 9 anos de títulos consecutivos, a Inter e o Milan não foram vice campeões uma vez sequer. As duas equipes de Milão não fizeram frente a Juventus, que ao longo das últimas temporadas teve que manter a sua atenção voltada a outros rivais, caso de Napoli e Lazio. A Inter sequer terminou entre os 3 primeiros colocados, enquanto o Milan conseguiu estar dentro do G-4 apenas na temporada 2012-2013.

Além de reinar absoluta, a Juventus é o time mais significativo da Itália nas competições internacionais. Desde o inicio desta dinastia dentro da série A, a Juve tem o melhor aproveitamento em Champions League. Com duas finais, nas temporadas 2015 e 2017. Apenas a Roma, em 2018, se aproximou deste feito quando chegou na semifinal. A falta de times italianos nas últimas fases dos torneios internacionais, e nacionais, mostram como o estágio da Juventus está elevado.

Todos os pontos citados anteriormente, são aspectos que fazem a Juventus um clube diferente. Toda reestruturação e todo trabalho da diretoria para tornar a Juve um clube organizado, trouxe frutos dentro de campo. Neste cenário, podemos observar a Vecchia Senhora como um clube de escala mundial, com expansão de marcas, jogadores renomados, vendas de camisas ao redor do mundo todo, colocam o clube como um dos gigantes da europa. Hoje, a Juventus está isolada como o maior time italiano, dentro e fora do seu território.

 

 

 

 

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