RFO Entrevista: Stella Terra (zagueira do Palmeiras)

Stella Terra é nascida e criada em São Paulo, terceira de quatro irmãos. A jogadora de 33 anos que é zagueira, mas já jogou na lateral e como volante, atua pelo Palmeiras desde 2019. Antes, Stella teve passagens por clubes como Osasco, Salto, Jaguariúna e São Bernardo do Campo.

Confira na íntegra o papo que a Radio Futebol Online teve com ela.

 Foto: Rebeca Reis

RFO: De onde vem o amor pelo futebol?

ST: “Desde que eu me entendo por gente ele existe, eu lembro que quando criança eu brincava de bola com meus dois irmãos mais velhos antes mesmo da minha irmã nascer, meu pai sempre foi apaixonado por futebol e influenciou os filhos e a mulher a gostar também.”

RFO: Você já sofreu preconceito por gostar/ jogar futebol?

ST: “Quando eu era menor, sempre joguei com meninos e tinha a dificuldade de entrar no jogo pelos meninos não quererem uma menina jogando. Mas, depois que entrava, eles viam que eu jogava tão bem quanto eles, e as vezes usavam da força para tentar me tirar do jogo, porém eu não me deixava abalar com isso.

Mas eu também já vi e ouvi histórias de amigas que sofreram e acabava sentida por elas, porque jamais vamos deixar que o preconceito tome conta de nada em nosso país, muito menos do que mais amamos fazer.”

RFO: Você já esteve em clubes mais modestos. Como era o dia a dia?

ST: “Eu sou de uma época que o futebol feminino era mantido por prefeituras, então dependíamos do que elas podiam oferecer ou do que chamamos de “patrocínio”, o que fazia muitas meninas desistirem, devido à não terem condições de se manter. Nós não tínhamos salário, porém, tínhamos alimentação e bolsa de estudos, o que me permitiu fazer duas graduações, uma em Educação Física, com bolsa integral, e Direito, com desconto na mensalidade por conta do futebol, e sou muito grata por isso.”

RFO: Como foi o momento em que você recebeu o convite do Palmeiras?

ST: “Recebi o convite através da supervisora Renata, que me explicou sobre o projeto do Palmeiras, que ia ficar sediado em Vinhedo, e iríamos ter toda estrutura de moradia, alimentação e treino. Eu, então, não pensei duas vezes e aceitei, porque além de ser um dos maiores clubes do país, eu queria fazer parte desse novo momento que o futebol feminino está vivendo no Brasil.”

RFO: Quem te inspira no Futebol Feminino?

ST: “Quem sempre me inspirou foi minha família, meus pais, meus irmãos, e minha companheira. Eles sempre me incentivaram a acreditar no meu potencial.

Mas, dentro do futebol eu tenho a Formiga como exemplo, por ela ser uma atleta dedicada, super discreta e ter a vitalidade que tem com a idade dela. Também a Aline Pelegrino, que está fazendo a diferença na Federação Paulista dentro da nossa modalidade.”

RFO: Qual o seu momento mais marcante jogando pelo Palmeiras?

ST: “Tivemos dois momentos muito marcantes: o acesso à Série A1 no ano passado, pois era o nosso principal objetivo do ano, a torcida estava presente e foi um marco, não só pra nós, atletas, como para o clube.

E o outro, é o meu gol na final da Copa Paulista do ano passado. Pude marcar o gol do título contra o São Paulo, e foi o único título que o Palmeiras ganhou em 2019 contando Feminino e Masculino, então é um momento que vou levar pro resto da vida!”

RFO: O que você gostaria se dizer para as meninas que almejam estar onde você está?

ST: “O que eu posso dizer para as meninas que querem ter o futebol como profissão é que se dediquem, e que tenham a consciência de como é importante se cuidar fisicamente e mentalmente, pois se queremos que a modalidade cresça a evolua temos que começar por nós mesmas. Irão existir obstáculos e dificuldades, mas peço que não desistam, porque nossos sonhos não podem ser interrompidos por barreiras.”

 

 

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